quarta-feira, 28 de março de 2012

Feche a porta do seu quarto

Às vezes, eu sinto falta daquela pessoa com quem contar todas as coisas do dia, dia após dia... aquela pessoa para comentar como tava lindo o sol na redenção, na hora que eu voltava para casa - ou falar daquela música cuja as palavras se entralaçavam tão junto que me pegou direitinho...

Eu nem sei muito bem porque sinto falta da pessoa que nunca tive. Houve momentos assim, mas eram mais fenômenos do que momentos.

Com pessoas que nunca mais vi. Com pessoas que nunca mais teria aquela ligação instantânea. Com pessoas que mentiram. Com pessoas que estavam usando essa carência minha para obter lucro próprio.

Acho que gostaria que essa pessoa existisse.

terça-feira, 27 de março de 2012

Autoconvivência


É difícil conviver comigo... que grande desafio.

Não é nada fácil. É ter saco para indagações, suspeitas, exigências, carências, verdades absolutas... ela não existe, alguém diria.

São 24 horas consecutivas, dia após dia, de ondas devastadores de medo, certezas e coragens.

Honestamente, nem eu sei como ela aguenta.

Eu sou real, creiam: acreditem que eu sou real; acreditem em mim, pois sou real.

Não sou tolerável nem nas CNPTs. Quantas e quantas vezes preciso me afastar para não machucar alguém, para que minha infatilidade não machuque ninguém?

E, por Deus, por que eu não consigo deixar de falar o que me chega à cabeça?? Por Deus, deixe as pobres almas em paz, elas não precisam desse tipo de luz, essa luz de acusação, de sala de interrogatório....

Sou atormentadora. Até que não é difícil ser eu, uma vez que nasci assim. Agora, conviver comigo... já é outra história.




Sumiço


... por onde tens andado? Por que não me manda mais notícias, por que sumiste?

Passou a novidade e eu fiquei sem graça pra ti?

Arranjaste novas companhias? Desinteressastes?

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Não, mesmo, minha alma corajosa.

Tu nunca saistes de mim.

muitas e muitas vezes, escrevi no coração... escrevi na cabeça. Escrevi sem escrever. Sempre esteves aqui. Nunca saí de ti.

É que chegou a vida, sua grande onda de dores e decepções... sua grande onda de rotina e deveres. Eu era um monge no alto da minha montanha. E agora, consigo? Consigo?

Contigo, consigo.

Já te disse: estou condenada a ser livre.


terça-feira, 20 de março de 2012

mais do mesmo

Gostaria de saber onde eu deveria mudar, trocar, largar para não ter mais do mesmo? Eu faria, faria com certeza - já não estou mais apegada ao meu orgulho, já não me escondo atrás do meu ego e do meu medo.

O que não estou aprendendo?

O que é que
me falta?


domingo, 18 de março de 2012

Status: aprendendo



Higher Ground


Every hour of every day I'm learning more
The more I learn, the less I know about before
The less I know, the more I want to look around
Digging deep for clues on higher ground

Moon and stars sit way up high
Earth and trees beneath them lie
The wind blows fragant lullaby
To cool the night for you and I

On the wind the birds fly free
Leviathan tames angry sea
The flower waits for honeybee
The sunrise wakes new life in me

Every hour of every day I'm learning more
The more I learn, the less I know about before
The less I know, the more I want to look around
Digging deep for clues on higher ground

The fishes swim while rivers run
Through fields to feast my eyes upon
Intoxicated drinking from
The loving cup of burning sun

In dreams I'll crave familiar taste
Of whispered rain on weary face
Of kisses sweet and warm embrace
Another time another place

And every hour of every day I'm learning more
The more I learn, the less I know about before
The less I know, the more I want to look around
Digging deep for clues on higher ground

Imenso Terreno


Todas as horas de todos os dias eu estou aprendendo mais
Quanto mais eu aprendo, menos eu sei sobre antes
Quanto menos eu sei, mais eu quero olhar por aí
Escavando profundamente por pistas neste imenso terreno

Lua e estrelas acomodam-se no alto
Terra e árvores acobertam suas mentiras
O vento sopra uma fragrância de ninar
Para esfriar a noite a você e eu

No vento os pássaros voam livres
Leviathan irrita o mar
A flor espera pela abelhas
O amanhecer desperta uma nova vida em mim

Todas as horas de todos os dias eu estou aprendendo mais
Quanto mais eu aprendo, menos eu sei sobre antes
Quanto menos eu sei, mais eu quero olhar por aí
Escavando profundamente por pistas neste imenso terreno

Os peixes nadam enquanto os rios correm
Através dos campos festejam meus olhos
Bebendo intoxicado pelo
Amoroso copo de sol ardente

Nos sonhos eu imploro pelo gosto familiar
Da confidenciada chuva no rosto cansado
Dos beijos doces e abraços quentes
Em outra hora, em outro lugar

Todas as horas de todos os dias eu estou aprendendo mais
Quanto mais eu aprendo, menos eu sei sobre antes
Quanto menos eu sei, mais eu quero olhar por aí
Escavando profundamente por pistas neste imenso terreno

Universo, meu amigo


É engraçado, o universo nos protege de nós mesmos. eu estava naquela de preguiça e fuga de mim mesmo e das coisas reais que valem a pena na vida. Burrice e teimosia, é terrível.

Quantas vezes a gente precisa levar na cara?

Lá estava eu, pronta para me arrastar por qualquer restinho...

E cheguei a me arrastar, um pouco. Então, Deus, sabiamente, deu-me o que pedi. Não era apenas resto. Estava, além de tudo, estragado. Dei-me conta: era preferível passar fome.

E eu nem estava com fome, era só aquela necessidade ansiosa de se saciar, de preencher vazios.... mas todos nós precisamos dos nossos vazios. Precisamos desses lugares desocupados para que possamos guardar outras coisas, outras novidades ou simplesmente algo que cresce, que vai modificando e vai precisando de mais espaço. Precisamos desses vazios para qualquer emergência, para quando nos sentimos sem saída, sufocados, acuados. Para arquivos temporários. Para arquivos permanentes.

Todo espaço vazio é válido.

Nessa madrugada, me livrei de vez de uma velha bomba. Ganhei um lindo vazio.

sábado, 17 de março de 2012

A recaída

Eu sentia que estava estranha esses dias... ciumenta, insegura... e cuidando menos de mim. Sempre se pode saber de uma pessoa pelo tempo que ela gasta com ela mesma. Parecia que eu estava com fome e, como não havia nada da geladeira - pois eu já havia jogado fora o que estava estragado, e quase tudo estava.... - revirei o lixo atrás daquilo que já havia despejado.

Eu revirei o lixo, eu revirei o lixo. Sinto-me um fracasso.

Tive ciúme de pessoas que não me valorizaram... quis ter a atenção - que pouco tive antes - delas. Quis qualquer coisa, de novo.

Hoje, eu olho no espelho e, a cada dia que passa, eu fico satisfeita com o que eu vejo. Nesses últimos dias, em que não andei me cuidando, temi ficar feia de novo. Ficar mais ou menos. Ficar pouco.

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sexta-feira, 16 de março de 2012

Vírus


Não acredito no ciúme como forma de amor ou demonstração de amor.
Não credito ao ciúme qualquer elogio.

Fui extremamente ciumenta por anos. Era apenas o cimento da minha prisão. Era um sentimento baixo, vil, pouco. Eu não merecia, ninguém merecia. Impediu que meu amor-próprio germinasse cada chance de semente que conseguia aflorar de meu coração.

Acredito que a gente nasça com o Amor instalado. Por algum motivo, no entanto, ele vai sendo lascado ao ponto de ficar invisível ao olho nu. O ciúme é uma das ferramentas utilizadas para isso. Não quero dizer que o ciúme é a ausência do sentimento bom: quero dizer que ele é um vírus, uma doença, quero dizer que ele vai tirando pedaços, arranhando, despedaçando o que há de bom no seu portador.

Eu era uma boa pessoa, disfarçada de ciumenta. Eu deixei, várias e várias vezes, que isso fosse a maior parte de mim. Eu realmente amei todas as pessoas com as quais me relacionei - infelizmente, meu ciúme, longe de ser a melhor manifestação disso, era apenas meu ego sobremanifestando-se sobre meu coração, mantendo-o amendrontado, covarde e inseguro.

A pior parte é que a vítima sempre fui eu. Sim.

Como num viciado em drogas ou qualquer coisa.

Os danos só foram meus. Perdi tanto tempo.

Perdi tempo com pessoas que diziam admirar minhas qualidades, mas apenas queriam utilizar minhas fraquezas para sentirem-se melhores. Nunca vi um namorado meu assumir qualquer responsabilidade de qualquer erro, simplesmente porque a ciumenta era eu.

Sim, todos eram ciumentos. Inseguros. Infelizes.

Hoje, percebo bem que apenas fui utilizada para satisfazer uma situação, manter a dinâmica de um jogo chamado "brincar de viver": eu finjo que estou vivendo, faço de conta, mas não consigo, porque o outro não deixa. Obviamente, eu jogava junto. Ora sendo a vilã, ora não vivendo também. Arrependo-me muito de não ter vivido, mas estou bem longe de ter o poder de impedir qualquer pessoa de viver.

Isso fica tão óbvio que, quando se quer parar de jogar, nunca há a tal paz imaginada. Quando o outro sempre ACUSA a outra parte de ser causadora de todos os males da relação, no caso dessa doença, é importantíssimo que essa causa seja sustentada: ou seja, o outro CONTA, PRECISA do teus sintomas - ou senão ele será forçado a visualizar a realidade indesejável. Enquanto fui ciumenta, a relação se manteve - tendo EU sempre como a culpada de TODAS as brigas. Quando decidi não ser mais, o outro mudou e não pode mais manter-se comigo - ele foi atrás de outro vírus para se proteger de ser um adulto. Isso foi no meu casamento e em inúmeras relações que eu tive.

E é tão forte que não consigo dizer se fui amada ou não. Tendo a dizer que não, mas pode ser que o Amor estivesse ali, escondido, subterrâneo. Pode ser que o ego do outro fosse apenas uma grande massa de mofo, acobertando-o. Todavia, cada um que cuide dos seus mofos.

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Não me entendi sentindo ciúmes de gente que nem quero mais na minha vida. Aliás, não me entendo sentindo ciúmes daqueles que sei que amo. Que será isso? O vírus estava latente? Ele voltará a me dominar?

Eu temo tanto que sim....

Ao mesmo tempo, me sinto um fracasso, pois isso é um sinal de que não estou madura, não estou liberta. O meu ego pode falar mais alto do que meu coração. Não quero essa vida de novo.

Não quero. Todavia, nunca passei por isso antes. A única coisa que consigo fazer é que já tinha feito.

terça-feira, 13 de março de 2012

Sin Miedo





Sin miedo sientes que la suerte está contigo
Jugando con los duendes abrigándote el camino
Haciendo a cada paso lo mejor de lo vivido
Mejor vivir sin miedo

Sin miedo

lo malo se nos va volviendo bueno
Las calles se confunden con el cielo
Y nos hacemos aves, sobrevolando el suelo, así

Sin miedo

si quieres las estrellas vuelco el cielo
No hay sueños imposibles ni tan lejos
Si somos como niños

Sin miedo a la locura, sin miedo a sonreir

Sin miedo sientes que la suerte está contigo
Jugando con los duendes abrigándote el camino
Haciendo a cada paso lo mejor de lo vivido
Mejor vivir sin miedo


Sin miedo

las olas se acarician con el fuego
Si alzamos bien las yemas de los dedos
Podemos de puntillas tocar el universo, así

Sin miedo

las manos se nos llenan de deseos
Que no son imposibles ni están lejos
Si somos como niños

Sin miedo a la ternura

sin miedo a ser feliz

Sin miedo sientes que la suerte está contigo
Jugando con los duendes abrigándote el camino
Haciendo a cada paso lo mejor de lo vivido
Mejor vivir sin miedo


Lo malo se nos va volviendo bueno
Si quieres las estrellas vuelco el cielo
Sin miedo a la locura, sin miedo a sonreir

Sin miedo sientes que la suerte está contigo
Jugando con los duendes abrigándote el camino
Haciendo a cada paso lo mejor de lo vivido
Mejor vivir sin miedo

segunda-feira, 12 de março de 2012

Trabalho

Acabei de ler um e-mail que me deixou tão triste...

Ontem, foi um dia pesado, agressivo. Trabalho árduo. Todos que trabalham na construção sabem o peso do tijolo a tijolo, da secura do cimento, da rudez da vida. Eu, que cresci em uma casa já construída, e não acompanhei nem reformas, nem pinturas, pouco sabia ou queria saber disso. Eu posso todos os dias observar os homens que, sem plasticidade, constroem o prédio aqui na frente de casa. E esquecer do seu suor e caras vincadas quando o prédio estiver estalando de tão novo. Sou fraca e ainda só sei admirar a beleza que é bela.

Sou fraca e apesar dos meus gritinhos estridentes, acho que nunca soube lutar de verdade. Ou nunca soube viver de verdade, ou amar de verdade.... tanto faz. Nunca soube - ou pouco quis saber - de degraus, dias de sol, dias frios, poeiras, cansaços, espírito de vontade, suor, suor, suor. Compromisso. A construção é um trabalho árduo - mas nascemos com tudo pronto. Inclusive, com a arrogância.

Contra a vontade do meu ego - francamente, eu não aguento mais escutá-lo - estou fazendo tudo diferente. Estou indo por outro caminho. Todas as minhas dúvidas e medos foram comigo. Teve vezes que segui saltitante, teve vezes que empaquei. As vezes que retrocedi.... as vezes que dei voltas em mim mesma. Sem perceber, já estava em outro caminho.

Talvez, eu não seja tão orgulhosa quanto eu prego.


domingo, 11 de março de 2012

Relicário

Um terremoto... um vendaval... o que será isso?
Tudo está saindo do seu lugar, pelo ar, pelo chão, quebrados, rachados, inteiros.
Eu podia jurar que tudo estava em repouso, mas que ilusão a minha.

Eu deveria estar com medo, mas, que gozado, EU NÃO ESTOU. Eu posso sentir os pedaços da minha alma, um a um, se ressecando. E posso sentir a tristeza, posso até tocá-la.

A tristeza e a felicidade são uma só.

Eu mal posso crer. Acho que em fim encontrei minha coragem.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cortesia

Feeling lonely

I guess that't why they call it the blues



Não funcionou. Não deu certo. Falhou. E quando se chega bem nessa pontinha, parece-se se tudo com precipício. Não há como gostar da tristeza, quando ela nos tira o futuro.
Hoje se fica com a tristeza - mas parece mais um tropeço do que um sentimento. O que fiz de errado? Fiz algo errado?

O que está acontecendo.

Não sei qual é o poder dessa coisa que faz com que até a mais próxima das pessoas pareça distante. E até minha felicidade fica descolorida. Mais uma vez: tempo, tempo, tempo. Só assim para se aquietar, entender. Continuar.

Mas não tenho a menor vontade de falar sobre isso. Só desejo ficar triste. E gostaria apenas que me escutassem - talvez escutem a própria tristeza de dentro de cada um. Talvez ninguém goste de ser lembrado da dor - assim como alguns não gostam de ser lembrados que podem ser felizes.

Eu gostaria estar alegre agora, plena. Mas estou cheia de tristeza - e transparece. O rosto está pálido, os lábios acinzentados. Os olhos não estão decididos - eles parecem estar firmes, no entanto; mas sem o vislumbre do adiante.

A tristeza é mesmo uma porta fechada.

Dentro da minha dor, só consigo olhar para dentro, para mim, e eu estou lá, sentanda olhando para o nada. Sou eu dentro de mim, que está dentro de mim, que está dentro de mim, que está dentro de mim... encontrarei algo?

E estou procurando algo?


Precipitada

A palavra era precipitada. E eu não conseguia me lembrar dela, de jeito nenhum. Estranho que eu a tenha escondido de mim mesma - talvez por ser uma palavra pronunciada mais por outros do que por mim...

"Tu não acha que está sendo precipitada?"

Eu nunca achava. Sempre queria viver rápido demais, viver logo, sofrer pouco, receber logo a minha sobremesa. Tinha medo de tudo... não, isso não é verdade. Eu temia era ter as coisas. Principalmente, o que eu queria.

Foi S. o único a dizer: " E o que é ser precipitado?"

Não sei, até hoje, não sei. Não me sentia precipitada, mas me sentia segura naquela fuga do tempo. Como se o tempo não pudesse me alcançar e eu não tivesse nunca que me transformar.

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Será que ando rápido demais? Não sei, são muitas mudanças... será que não são mudanças demais? Até onde isso vai? Quando isso para?

Eu consigo manter tudo isso?

Muita gente indo embora, morrendo... muitas situações mudando. Muita opinião minha mudando. Várias vezes, não quero agir como costumava - e daí fico sem saber o que fazer. Muitas vezes ainda tenho medo.

Que merda de coração, hein?

Queria qualquer segurança agora.... pelo menos, antes, mesmo não sendo quem eu era, eu sabia o que estava acontecendo. Ou achava que sabia. Podia ter aquela ilusão tão boa, tão poderosa, de que estava controlando algo.

Um dia vou descobrir quão patético isso é.

Mas nessa madrugada, eu vou só ficar triste pelas coisas que não tenho, pela confusão na minha cabeça... eu comecei a arrumar uma casa que não para de ficar bagunçada, sempre surgindo uma gaveta aqui, um armário ali. Não para nunca. Hoje, não aguentei. Quis ser, ter como era.

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Quem já disse, antes de mim, que a mudança é um caminho sem volta?

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Só de me perguntar se deveria fazer tal coisa, eu já sei que estou fazendo.

Que droga.

A liberdade nunca foi minha escolha. Sou obrigada a ser livre.

Não tenho como evitar.... e às vezes, como gostaria!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dura



"Conhecem o tipo 'carne fraca'?
Eu sou do tipo carne dura."

Construção


Construindo quem sou, onde habito. Construindo meu coração com barro e trabalho e cansaço. E medo. E coragem.

terça-feira, 6 de março de 2012

Dor e Alegria

Cada dia é quase um susto.

Ele nasce de um jeito inevitável e imprevisível. Tenho medo, claro! Gostaria de ter tudo sob controle, para aquecer meu ego e para não sofrer. Com a escolha que fiz, essas atitudes não serão possíveis.

Não são.

Apesar de estar doendo, eu não sofro - disse um melhor amigo que "a dor é necessária, mas o sofrimento é opcional".

Percebo, nesse instante, que vivi sofrendo... mas não as dores necessárias. Contornei da dor, me escondi. Temia rejeições e fracassos - que nunca aconteceram, pois nunca deixei que me acontecessem. Nada aprendi, se nada experenciei. O que eu esperava então, que tipo de vida eu esperava?

Torço por um "fora". Por alguém que me "jogue na cara" o meu desvalor. Rezo por um coração quebrado, rasgado. Por um não. Todas essas coisas temi, fugi - e acabei não sabendo. Três décadas e qualquer adolescente é uma bíblia para mim.

A dor está criando quem sou. Está soldando, fechando arestas. A alegria sincera não surge espontaneamente. Ela mora no coração, que agora se abre em feridas. Negar a dor é negar a alegria - e não viver a alegria é como não viver.

Nem sei como consegui chegar até aqui, mas cheguei. E meu espírito dará voltas e voltas - mas ele sabe o caminho.

Talvez só precise mesmo se aquecer.